surfistas satânicos

Mais uma da série Vale a pena ler de novo, desta vez a entrevista que fiz com Andy Dahlström, do Satanic Surfers. Na ocasião, Março de 2006, a banda estava vindo para uma tour pelo Brasil e o show em São Paulo/SP foi no Hangar 110 ao lado de DesigualdaD — que tinha Brek [Mukeka di Rato], Cesar Lost [Fire Driven, ex-zilhões de bandas como Paura, Againe, Street Bulldogs, Seven I Lie], Helinho [na época do Food 4 Life, hoje no Questions], Pablo [ex-Blind Pigs] e Leandro [que foi do Ponto Final e Don Vito & Seus Foguetes, hoje no Grindhouse Hotel], Envydust [que acabou e se não me engano vai voltar esse ano] e Ventura S/A [ que antes chamava Fuleragem]. Segue abaixo!

Entrevista: Andy Dahlström/Satanic Surfers
por Ricardo Tibiu
fotos do truta Diogo Distúrbios [flickr.com/disturbios]

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A banda sueca Satanic Surfers está na ativa desde 1989, mas somente agora, no dia 24 de março, desembarca no Hangar 110. Antes de chegar ao Brasil batemos um papo irreverente com o baixista Andy Dahlström, onde entre outras coisas ele fala sobre as expectativas com relação ao Brasil e seu conhecimento sobre nossas bandas.

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– Vocês são satânicos? Vocês surfam? Estão planejando infernizar pelas praias brasileiras?
Não, não somos muito satânicos. Esse seria o Rodrigo [Rodrigo Alfaro, vocalista da banda] porque ele é quem gosta de thrash e death metal. Nós não surfamos. Quando estamos bêbados nós ocasionalmente subimos num skate. Eu achei um no ônibus esse dias, então agora eu tenho dois!

– O que vocês esperam dos shows aqui no Brasil?
Shows insanos com muitos jovens loucos cantando junto. Eles provavelmente vão ficar muito bravos conosco se não tocarmos certas músicas. Eu acabei de ler que o Millencolin perdeu todas as malas e o equipamento quando voaram praí. Eu espero que isso não aconteça com a gente. Nós vamos pela mesma companhia aérea…

fotos: Diogo Distúrbios [flickr.com/disturbios]satanicdisturbios3

– Porque as cores diferentes nos encartes de “Taste The Poison”? [o CD tem capas diferentes para cada região em que ele foi lançado]
Nós achamos que seria uma idéia legal. Algo para os colecionadores e babacas pretensiosos como eu. Pode apostar que a versão em vinil vai ser em outra cor também! A arte era bem simples, e nos permitia fazer capas em cores diferentes.

– O Millencolin acabou de tocar aqui, e agora vocês. Devemos esperar uma invasão sueca?
Pode apostar! Os suecos estão aqui para zoar com tudo e deixar vocês com os ouvindos zunindo. Nós já fomos meio invadidos por algumas bandas brasileiras: I Shot Cyrus, Discarga, Ratos de Porão, Point Of No Return e outras!

fotos: Diogo Distúrbios [flickr.com/disturbios]
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– Como anda a cena musical em geral na Suécia? E a cena punk rock/hardcore?
As pessoas ouvem as mesmas músicas e se vestem da mesma maneira. Essa é a parte chata do clima musical da Suécia. Nesse momento, a moda do garage rock está praticamente acabada, e todos estão obcecados com a música eletrônica dos anos 80. É isso ou The Cardigans. A cena punk rock está indo bem. Agora tocar punk rock 77 ou punk old school dos anos 80 é o que está em alta. Muitas novas bandas legais como Tristess, Regulations, Vicious, Insurgent Kid, Bad News, Sista Sekunden, Nitad, Fy Fan e mais um zilhão!!

– Vindo da Suécia, que é reconhecida por causa de bandas de metal como Arch Enemy, In Flames, Entombed e Dark Funeral, e tendo um nome como esse, existe alguma história engraçada sobre pessoas achando que vocês eram uma banda de metal?
Não exatamente, mas teve uma vez em que a mãe de um garoto que foi ao nosso show ligou para a casa de shows e exigiu falar com um dos membros da banda. Então o Fredrik [Fredrik Jakobsen, guitarrista da banda] pegou o telefone, e a mãe do outro lado da linha estava muito preocupada achando que seu filho tinha ido a algum tipo de missa para idolatrar o Diabo, por causa do nosso nome. O Fredrik teve que prometer pra ela que não éramos satanistas, e que não tínhamos nenhuma mensagem satânica subliminar em nossas letras [será que temos?]. Então a mãe se tranqüilizou e deixou seu filho assistir ao nosso show. Insano.

– O que você sabe sobre a música brasileira?
Basicamente as bandas que eu citei ali em cima e — é claro — SARCÓFAGO! Eu escutei eles pela primeira vez quando eu tinha 17 anos. Muito bom! Läjä Records e Pecúlio Discos são dois selos underground legais do Brasil.

fotos: Diogo Distúrbios [flickr.com/disturbios]
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– Quem vai ganhar a Copa do Mundo esse ano?
Não tenho idéia. Eu não sei nada sobre esportes. Tem música demais no meu cérebro.

– Um dos caras do No Fun At All desmaiou quando eles tocaram no Hangar 110 por causa do calor. Vindo do inferno, e sendo surfistas, você acha que vocês estão mais preparados do que eles para lidar com a temperatura no Brasil?
É claro! Sabemos tudo sobre calor e destruição! Nada pode nos deter. O cara do No Fun At All provavelmente tinha bebido demais. Ou talvez ele esqueceu o protetor solar. O Satanic Surfers é uma banda sueca mas a maioria de nós não é sueco. Somos de todas as partes do mundo — e do inferno, é claro!

– Ok, Deixe uma mensagem para seus fãs brasileiros!
Se prepare para provar o veneno. Estamos na sua cola!

Abaixo alguns vídeos da tour.


Thoughts Words Action – Programa Radar, TVE – Porto Alegre/RS


And The Cheese Fell Down – Programa Radar, TVE – Porto Alegre/RS


U+I R 1 – Programa Radar, TVE – Porto Alegre/RS


Restless Anger – Porto Alegre/RS


U+I R 1 – Curitiba/PR


Head Under Water – São Paulo/SP


And The Cheese Fell Down – Santos/SP


Campinas/SP

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25 pensamentos sobre “surfistas satânicos

  1. Eu não sou muito fã de Satanic Surfers, acho legal, mas nada demais..
    Achei massa a entrevista, muito legal ele conhecer as bandas daqui, a Laja e a Pecúlio..

    • pode crer, Arthur, mas legal que curtiu a entrevista, quando os entrevistados têm senso de humor, sempre fica bom o resultado. 🙂
      também gostei que ele conhecia os selos nacionais, na época comentei com o Boka e ele disse que os caras eram muito interessados pelas bandas brasileiras!
      🙂

  2. Sou suspeito para falar dessa banda por ser um grande fan fiquei revoltado por ter perdido este show o que serve de consolo foi ter tocado com o Atlas losing grip e ter conhecido o Rodrigo que não minha opnião é um dos melhores letristas do hardcore…

      • Teve não Tibiu eu iria para São Paulo mas como ninguém fechou comigo acabei desanimando e pouco tempo depois a banda acabou……o SS juntamente com o Pennywise são as bandas de HC melodico que mais ouvi até hoje.

      • imaginei que não tivessem ido praí, Riva, minhas buscas não acharam nada…
        muita gente pira no SS mesmo, legal isso, porque o Pennywise sempre foi do “primeiro escalão do melódico”, né?!
        🙂

  3. Pra mim, uma das melhores bandas de hardcore melódico! O Hero of Our Time é o disco que eu mais ouvi na vida.

    Concordo com o brother acima… as letras do Rodrigo são phoda bagarai!

  4. esse cara é maluco, olha o naipe das respostas hahahaha. curti demais!

    eu até gosto do Satanic Surfers, ouvi muito o going nowhere fast e achava bem bom.

    achei fantásticas as fotos!

    • legal que curtiu, Heric!
      quando os entrevistados entendem o clima da entrevista e entram no jogo, o resultado sempre fica melhor.
      🙂

      as fotos são muito boas mesmo, o Distúrbios manda muito bem!
      🙂

  5. Em 2006 eu tinha 13 anos..e meu pai não deixava colar no rolê, então perdi esse rolê. (:

    Ah mano, o Satanic Surfers é uma das minhas bandas favoritas, gosto mais que tudo também.
    tenho o taste the poison (azul) que pra mim é um dos discos mais melódicos e fodas do mundo.
    Bão pra caralho..

    Será que um dia a banda volta? e se voltar será que eles voltam pro Brasil?
    sonho né…

    • loucura, MV, você era bem novinhos mesmo!
      🙂

      dentre as bandas do chamado hardcore melódico, acho que eles sempre foram os com mais conteúdo, né?

      cara, depois que o At The Drive-In voltou, acho possível qualquer banda voltar e vir pro Brasil!
      🙂

  6. Aliás, perdi o show do atlas losing grip aqui em São Paulo, foi móh vacilo memo..dá rolezinho de casalzinho em restaurante mexicano..vai toma no cu, devia ter ido ver o atlas losing grip..
    Móh inveja da porra do Riva..caralho..

  7. O amigo alí lembrou do enemy alliance eu ouvi dizer que a banda não acabou e que agora eles são um Duo hardcore hehehehehe tinha uma outra banda que o rodrigo montou o intensity que era um hc mais sujão meio metal estilo suéco mesmo hehehe. Tem muita banda boa na suécia que não são tão comentadas vide o Venerea, Adhesive e o Skundun.

    • lembro do Intensity, Riva, até o cara que entrevistei, o Andy Dahlström, era baixista no SS, mas guitarrista no Intensity!
      cara, não conheço nenhuma dessas bandas que você disse, mas sei que a galera na Suécia manda bem mesmo!
      🙂

  8. Campinas eu estava lá… Trabalhei na organização do role com alguns amigos na época… Foi foderoso!! Uma quarta feira… Não tinham, nem 100 pessoas no role, mais o pouco que tinha foi a loucura!!

    Lembrança boa essa! 🙂

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