o inimigo?

Fernando Sanches tem música no DNA, que vem de seus pais Cláudio e Zenilda e se estendeu a ele e seus irmãos, Daniel Ganjaman e Maurício Takara.

O El Rocha, estúdio da familia, gravou grande parte das bandas independentes do Brasil, se tornando referência no país.

Fernando tocou lá no começo do Dance Of Days, passou por Againe, Hateen, Van Damien e recentemente deixou o CPM22.

Agora, está focado na família, em seu trabalho como produtor e n’O Inimigo, banda que além dele tem membros que tocam (ou tocaram) em nomes como Ratos de Porão, Kangaroos In Tilt, RHD, Point Of No Return, I Shot Cyrus, entre outros.

Neste sábado, dia 20/08, O Inimigo divide o palco do Hangar 110 com dois veteranos do hardcore nacional e que vieram do litoral paulista: Garage Fuzz e Safari Hamburguers.

Haja história, hein?!

Antes disso fui conversar com Fernando Sanches e o papo rendeu!

Ele falou deste show, de todo aprendizado que teve na indústria da música (do underground ao mainstream), das bandas que produziu ou anda produzindo (que vai de Questions e ordinaria hit até restauração de clássicos de Cólera, RDP, Olho Seco e Inocentes), a tradição da Família Takara e as novidades d’O Inimigo — isto inclui Stephen Egerton (Descendents, ALL) assinando mixagem/masterização do disco novo!

O bom de conversar com quem tem conteúdo, e neste caso que tem também muita bagagem no underground, é que se acaba absorvendo algum aprendizado e ainda umas boas dicas de som.

Tá aí uma das entrevistas que mais gostei de fazer nos últimos tempos, espero que gostem de ler!

foto de: Marcos Bacon.

Fernando Sanches é o típico caso de quem já nasce com a música no DNA. Cláudio e Zenilda devem do que a Família Takara já produziu. Seja através de Fernando, Daniel Ganjaman, Maurício Takara e do El Rocha, um dos mais tradicionais estúdios brasileiros em se tratando de música independente. Depois de passar por nomes como Dance Of Days, Againe, Hateen, Van Damien e CPM22, hoje ele foca sua vida em sua família, na carreira de produtor e n’O Inimigo – que toca no Hangar 110 neste sábado, dia 20/08, ao lado de Garage Fuzz e Safari Hamburguers. Bom de papo e com muita história pra contar, Fernando falou um pouco deste show, com quem andou trabalhando e dos próximos planos. Pegue sua xícara de café e confira!

O quê significa fazer um show em 2011 ao lado de dois nomes do hardcore nacional com tanto tempo na estrada como o Garage Fuzz e o Safari Hamburguers?
Pra mim, além de poder reunir tantos amigos de longa data, é uma honra e muito gratificante poder ver e tocar junto com essas duas bandas tão importantes na minha formação musical. O Good Times, do Safari, e o Relax, do Garage, ao lado do Brasil, do Ratos De Porão, foram os discos nacionais que eu mais escutei na minha vida. Eu sabia cada verso, cada nota… e o mais importante de tudo é ver essas bandas produzindo material de qualidade depois de tanto tempo. O Garage se supera a cada disco, e no início do ano, O Inimigo tocou com o Safari em Santos, já com o Boka na bateria, e foi um dos melhores shows que eu já vi deles! Tenho certeza de que quem for no Hangar nesse sábado, não vai se arrepender. Chegue cedo e divirta-se!

Você já passou por bandas bem diferentes, como Againe, Dance Of Days, Hateen, Van Damien, O Inimigo e CPM22, pegando diversas fases da indústria da música, indo da demo em K7 ao MP3, do underground ao mainstream. Qual foi o maior aprendizado que você teve nesses anos todos que você toca?
O maior aprendizado nesses quase 20 anos que estou no rock é que a música continua sendo a minha prioridade, e a razão de eu estar nessa por tanto tempo. Não importa o estilo, o formato da mídia ou a conta do banco. Você tem que amar a coisa de verdade, se não, é melhor ir fazer outra coisa. Viver a música 24 horas por dia dá muito trabalho e dor de cabeça… Cansei de ver estruturas faraônicas com uma equipe de produção gigante “meter os pés pelas mãos” e transformar algo muito simples num pesadelo de uma maneira bizarra…

Imagino, até porque já vi isso de perto também…
Na minha cabeça, as gravadoras grandes que continuam naquele formato de 15 ou 20 anos atrás, estão com passagem comprada pra vala… As rádios então nem se fala… Estou bem aqui, obrigado, sem a menor vontade de brincar de Titanic…

No fim algumas bandas vivem pra conseguir um contrato quando nem imaginam que no independente as coisas podem funcionar do jeito que elas querem…
Hoje em dia, prefiro fazer as coisas do jeito mais simples, um telefonema, um e-mail, antigamente marcávamos shows por carta, porque até o DDD custava uma puta grana… E por mais absurdo que isso possa parecer pra nova geração, funcionava! E quase sempre, tá tudo certo. E quando não está, 90% das vezes o cara tem uma explicação convincente… Roubada sempre vai existir, mas acho muito mais fácil o cara que curte a banda queimar o filme com escritório ou empresário do que com o próprio músico. Como no rock independente, na maioria das vezes quem te chama pra tocar é uma outra banda, ou um cara que acompanha o seu trabalho, esse esquema tem funcionado… É simples, porém, gratificante.

Como produtor você deve ouvir muita banda, quais você destaca do quê andou trabalhando ultimamente ou até que gostaria de produzir?
Tenho muita sorte de ter uma relação legal com as bandas que trabalho e delas valorizarem muito a minha parceria com eles. Dos mais recentes dá pra destacar o disco do Futuro, banda que antes era conhecida como B.U.S.H., que toda vez que trabalhamos juntos, e já foram várias, é sempre uma experiência louca e divertida.

Já ouvi o Futuro, Mozine me mandou, muito bom mesmo!
O novo do ordinaria hit tá bem foda, e foi bem legal de fazer. O primeiro do Still X Strong…

E as coisas que tem feito agora?
Atualmente estou gravando, mixando e masterizando mais um disco do Questions, o primeiro do Stereomotive, de Suzano, que esperaram uns três anos até eu finalmente ter tempo pra fazer o disco deles! Tem o primeiro do Iodo, daqui de São Paulo e que já teve três nomes diferentes e em todas as fases fiz algo com eles…

Muita coisa!
Tem mais! A gravação da estréia do duo do M.Takara com o Rodrigo Brandão, que tá ficando muito legal também, o trio de jazz Marginals… Tá pra entrar mais coisa legal, Bodes e Elefantes, Pirituba Response… É o que me vem na mente agora.

Tua agenda deve tá bem cheia!
Tenho feito muita restauração de discos clássicos do punk nacional que é um trabalho que eu adoro fazer, pois foram discos muito importantes na minha vida e de muitos! Cólera e Ratos de Porão ao vivo, Botas, Fuzis e Capacetes, do Olho Seco, Miséria e Fome, do Inocentes…

E qual disco você mais curtiu este ano?
Foi o Aqua Mad Max, do Leptospirose! É uma banda que eu tenho muita vontade de trabalhar junto, assim como o Muzzarelas, de Campinas/SP, e o 7″ do Test que é absurdo de bom!

O El Rocha é um dos mais tradicionais estúdios do Brasil em se tratando de música independente. Sei que é difícil, mas se você pudesse escolher um disco pra definir todos esses anos do estúdio, qual seria?
Tenho certeza que a própria banda vai discordar, mas acho o Cozido, do Hurtmold, seria esse disco. Gosto de tudo nele, do som, da capa, do espírito, das músicas… e olha que é a coisa mais difícil eu gostar de algum trabalho que fiz há mais de 10 anos… Acho um disco muito verdadeiro, de uma banda de verdade gravado da maneira mais verdadeira possível. É, talvez, um dos discos mais punk que eu já fiz, dentro da minha concepção de “o que é ser punk”…

E quando você pensa na Família Takara antes de se tornar este “clã” da música brasileira, quais seriam as músicas que embalavam os almoços de domingo, por exemplo?
(Muitos risos) Clã é muito da novela da Globo! Lembro muito dos Beatles, do After Math, do Rolling Stones, do Jimi Hendrix, Shadows, Alice Cooper, Black Sabbath, Pink Floyd… Que vinham mais do lado rock do meu pai, e minha mãe ouvindo Milton Nascimento, Elis Regina e aquele povo todo da bossa nova.

Agora que você saiu do CPM22, vai rolar uma dedicação maior ao O Inimigo? O quê podemos esperar pela frente?
O Inimigo está para lançar um disco novo! O nome é Imaginário Absoluto, são 11 faixas novas e uma regravação do primeiro disco. Foi todo gravado aqui no El Rocha, e atualmente está na fase de mixagem e masterização com o grande Stephen Egerton (Descendents, ALL)! Ele ter aceitado trabalhar com a gente foi uma grande honra! Na próxima semana devem chegar as primeiras mixes e eu não vejo a hora de isso acontecer. O disco deve sair em setembro ou outubro pela 78Life. Sobre a dedicação, continua a mesma, mas agora com mais tempo e com os finais de semana um pouco mais livres para podermos fazer shows.

Entendi…
Somos uma banda onde todos trabalham com música… Eu no El Rocha, o Juninho toca com Ratos de Porão, Discarga, Eu Serei A Hiena etc… O Kalota tá com uma loja de disco bem foda junto com outros amigos chamada The Records! O Alê e o Gian trabalham com o Matanza… Então a questão agenda é uma doidêra, mas a vontade é grande e com certeza vamos tocar bastante em 2012. Até uma tour pelos EUA, se tudo der certo…

E quais são seus próximos planos?
Agora tô no “triângulo amoroso” família-banda-estúdio 100%, 24h por dia! E tô mais feliz que nunca! Estava conversando hoje com o Juninho, procurando maneiras legais de fazer o lançamento do disco d’O Inimigo e deve rolar algo especial! E quem quiser me procurar para produzir, gravar, mixar, masterizar ou apenas almoçar, jogar conversa fora, pode entrar em contato por e-mail (fernandosanchestakara@gmail.com ou fernando@elrocha.com.br). Já aviso que é você que paga o almoço, de preferência vegan/vegetariano, mas o café é por minha conta! Juizo amigos! Se cuidem!

Estúdio El Rocha:
Rua Simão Álvares, 552, Pinheiros, São Paulo/SP.
(11) 3816 2882

14 pensamentos sobre “o inimigo?

  1. mto legal, tibiu..

    porra, o fernando é foda mesmo, lamentável ele sair do cpm22..

    mas enfim, hoje vai rolar um puta showzão no hangar, já vi duas vezes o safari, os caras são foda..o garage, porra sem palavras, e o inimigo sonzão foda.

    abrá

  2. Pingback: hurtmils | chiveta ——¬

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