sujo e sincero

Não é muito fácil achar alguém em sintonia com você, mas isso pode acontecer!

Fui procurado por Rael Brian Rau, lá de Brusque (SC), que me mostrou sua arte. E eu gostei bastante!

É muito no espírto chiveta de ser: simples, despretensiosa e do it yourself!

Ao se envolver com skate e punk rock, brotou em Rael o interesse pelas artes. Com influências brasileiras (Sesper, Carlos Dias e Billy Argel, e, por coincidência, muita gente boa e camarada em comum, como ETE, , Kauê Garcia e Alex Vieira) e gringas (Raymond Pettibon, Dash Snow), ele criou seu estilo e agora na próxima sexta-feira, dia 06 de agosto, inicia sua exposição solo Raiva Espiritual.

Ela será na Galeria Municipal de Arte – FCBC (Rua 2412, número 111 – Centro), em Balneário Camboriú (SC).

Ótima oportunidade de conhecer o trabalho de Rael e ainda conferir de perto sua performance tocando guitarra e cantando na banda Beyond Trash Wall — que tem uma pegada bem anos 90 e se apresenta na abertura da expo.

Quem não puder conferir a exposição de perto, uma boa introdução está na entrevista que fiz com Rael.

Além de gente boa e talentoso, como disse antes, sua arte tem o espírito chiveta: sujo e sincero, não se importando muito em agradar os outros.

Ah, claro, e tem sempre uma mulher pelada no meio!

Veja abaixo a entrevista que fiz com ele, conheça seu trabalho, saque as influências musicais (Black Flag, Bad Brains, John Frusciante, Fugazi) e até entenda um pouco esse lance de nudez feminina que também tem a mesma vibe do chiveta!

Natural de Brusque (SC), Rael Brian Rau tem 22 anos e desponta como uma revelação na área das artes nacionais. Na cidade fantasma, como descreve onde nasceu e mora, se envolveu com o skate e o punk rock e nasceu o interesse para as artes. Mesclando influências brasileiras (Sesper, Carlos Dias) e gringas (Raymond Pettibon, Dash Snow) criou seu estilo e agora na próxima sexta-feira, dia 06 de agosto, inicia sua exposição solo “Raiva Espiritual”. Ela será na Galeria Municipal de Arte – FCBC (Rua 2412, número 111 – Centro), em Balneário Camboriú (SC). Ótima oportunidade de conhecer o trabalho (sujo e sincero!) de Rael e ainda conferir de perto sua performance tocando guitarra e cantando na banda Beyond Trash Wall – que se apresenta na abertura da expo. Quem não for da área, uma boa introdução está na entrevista abaixo!
por Ricardo Tibiu

– Você é natural de onde?
Rael:
Nasci e moro em Brusque (SC), a cidade fantasma onde nada acontece!

– De onde vem o nome “Raiva Espiritual” da sua exposição?
Rael:
Da música “Raiva de Espírito do Velho de Câncer”, na real é bem assim que me sinto no processo de criação.

– Essa vai ser sua primeira exposição solo?
Rael:
Não, mas acho que é a primeira que estou 100% preparado e com um trampo bom.

– Quando e o quê te levou a ingressar no mundo das artes?
Rael:
Foi, com certeza, por causa do punk rock e do skate. Fui vendo as revistas de skate e via uns trampos do Sesper, do Carlos Dias, e achava tudo muito louco, ainda mais que eles tocavam nas bandas que eu curtia. Na minha cabeça música, arte e skate sempre andaram juntos, no fim das contas os três se expressam da mesma forma. Aí percebi que não precisava entender muito de técnica e nem estudar pra fazer arte e música verdadeira. Isso por volta de 2005/2006, fui desenhando, colando… Tudo muito toscamente, demorei bastante até me achar dentro da arte!

– No geral como tem sido a recepção diante de seus trabalhos?
Rael:
Na verdade acho que a maioria torce o nariz (risos), acham muito sujo e sei lá o quê… Mas os amigos parecem gostar, as crianças se identificam mais que os mais velhos. Na real eu tô cagando pra o que acham (risos), vou continuar produzindo muito, porque é uma terapia pra mim.

– Dá pra viver de arte no Brasil?
Rael:
Cara, pelo o que eu vejo viver bem não. Até hoje eu nunca ganhei um centavo com a arte, só torrei grana com isso. Espero um dia ganhar pelo menos o mínimo para viver. Muita gente acha que arte é coisa de vagabundo, de gente que quer aparecer e acaba dando valor pra muita coisa idiota! Dão mais valor pro cara que trabalha na fábrica que nem um robô, e falam “Fulano de tal é um homem bom, trabalhador, batalhador”… E o artista que faz um trabalho sincero e verdadeiro acaba sem valor, sendo, muitas vezes, marginalizado. São poucos que dão o valor merecido.

– As colagens são muito presentes em suas obras, de onde vem o material que você usa? Por que fazer colagens?
Rael:
Sebo, revista velha, muitas vezes papel que acho na rua. Colagem foi o jeito melhor que achei pra me expressar, pintando não deu muito certo, era uma tosquêra que tenho até vergonha de lembrar (risos). Na colagem eu posso brincar com diversos suportes, desmontar a imagem ao avesso e criar algo inusitado em cima, adoro a sujeira, pra mim o trampo tem que ficar sujo, senão desisto e faço até ele ficar uma imundice.

– Outra característica marcante é a presença de partes de corpos femininos nus. Por que isso? Freud explicaria, né?!
Rael:
Na verdade é para provocar os idiotas (risos), gosto quando gera algum tipo de opinião contrária, quando atinge em cheio a pessoa que é conservadora. Pra quem olha a primeira vez acha que eu sou um machista tarado (risos), mas muito pelo contrário. Ainda não usei uns “pinguelos” porque não tive coragem ainda de comprar uma G Magazine (risos).

– Você também tem uma banda, a Beyond Trash Wall, onde você toca guitarra e canta. Uma arte acaba refletindo na outra ou não?
Rael:
Com certeza, geralmente quando tô fazendo uma colagem e me canso um pouco, pego a guitarra e crio um riff inspirado pela colagem e o estado de espírito que tô no momento e, no fim, acaba sendo uma coisa só. E como na minha arte, na banda a gente faz as coisas da nossa maneira, do jeito mais torto e sem compromisso, bem “do it yourself”, não entendo nada de guitarra, de nota, de teoria musical, entende?!

– Entendo, assim que é “bom”! (risos).
Rael:
Nem guitarra eu tenho, vivo pegando emprestado (risos). Ninguém na banda estudou ou se considera músico. O Gustavo toca uma guitarra e um trompete tão torto que não sei da onde vem, mas é muito foda e criativo e, no fim, junta com a minha guitarra e o baixo mais torto ainda e sai uma coisa que agrada somente a nós (risos). O Leandro que toca batera é tatuador… Todos têm uma ligação com a arte!

– Imagino que você deva ter influências de todos os lados pra resultar na sua arte, inclusive da música. No geral, quais são suas principais influências?
Rael:
Gosto muito de sujeira e trampo simples: Sesper, Carlos Dias, Raymond Pettibon, Hooded Fang, Dash Snow, Billy Argel e a galera que não é tão conhecida como o Alex Vieira, ETE (Muzzarelas), Kauê Garcia, Rogério Santos, Bira, Bá… Todos com um trampo muito foda!

– E na música?
Rael:
Eu sempre fui curioso desde pequeno, lia e leio muito, vou atrás. O Fugazi quando escutei a primeira vez pirei, tava andando de ônibus com o walkman e escutei “The Kill”, aquilo me deu uma rasteira na alma (risos). Não foi diferente com Sonic Youth, Minutemen, Drive Like Jehu, IggyPop, Jawbox, John Frusciante, Black Flag, Gang Of Four… Beatles foi muito importante pra mim, o Bad Brains demais, o Nirvana nem se fala. E, atualmente, tenho pesquisado muito as bandas que eram chamadas de “emo” nos anos 80 e 90, tem muita coisa boa desconhecida como Shotmaker, Gauge, Unwound… Tudo isso influencia na arte e na Beyond Trash Wall e hoje em dia tem umas muito boas como Seanews, Do You Compute…

– No seu blog eu vi umas fotos de skate, assim como uns trampos em shapes. Qual é a sua relação com o skate?
Rael:
Cara, ontem mesmo andei em um wallride perfeito aqui, que nem os da gringa, não acreditava que tinham feito um assim aqui em Brusque! Queria agradecer ao dono da fábrica por ter cimentado o morro todo (risos). A relação, como disse antes, foi por causa do skate que tô nessa hoje! E essas fotos foram tiradas pelo meu camaradinha Vitor Ebel e, na maioria, é de boneless, a única que mando na base (risos). Mas sempre tô dando um rolêzinho no nosso miniramp.

– Pra encerrar, se seu estilo pudesse ser definido através de uma banda, qual ela seria?
Rael:
Essa é difícil (risos), mas vou citar três importantes no momento: Fugazi, Sonic Youth e Drive Like Jehu.

– E de uma música?
Rael:
A versão de “Big Takeover”, do Bad Brains, feita pelo John Frusciante!

– Um livro?
Rael:
“1984”, de George Orwell.

– Um esporte?
Rael:
Skate é muito mais que um esporte e como o surf é uma coisa nojenta, então vai futebol mesmo (risos).

– Uma celebridade falida?
Rael:
Maradona, mas a bola da vez é o Bruno (risos). Coitado ainda acho que ele é inocente (risos).

– Uma mulher pelada?
Rael:
Ah, a Tiazinha no auge da fama (risos).

– Valeu Rael, fique à vontade pra deixar um recado!
Rael:
Valeu aí por dar espaço pros artistas falidos como eu, são poucos que dão (risos). Valeu mesmo! Escutem as bandas daqui da nossa linda city: Beyond Trash Wall e Atacama.

Entrevista por: Ricardo Tibiu
Exposição “Raiva Espiritual”, de Rael Brian Rau.
Galeria Municipal de Arte – FCBC
Rua 2412, número 111 – Centro
Balneário Camboriú/SC
Contatos: (47) 3366-5491 / (47) 3366-5325
cultura@camboriu.sc.gov.br

Para ver mais fotos de seus trabalhos vá a seu Blog e/ou Flickr !

36 pensamentos sobre “sujo e sincero

  1. Curti as montagens do cara. Realmente Brusque é uma Cidade fantasma, tenho um brother que já morou lá por uns tempos e fala isso. Segundo o mesmo tem uns estabelecimentos que estão abandonados e galera vai para pirar e passar o tempo.

    • Flávio Flock é um cara que eu curto, conheço mais pelos encartes do Jasom assim como a arte do Ete pelos encartes dos dois ultimos do Muzza.

    • legal, ETE!

      e legal também que o Rael vai ficar feliz que você conferiu aqui a parada!

      verdade, Emo, o ETE manda muito bem.. o Flock sempre fez as paradas pras bandas do Rio mesmo… fanzines também!

  2. Pô tbu..legal os trabalhos do cara..comecei a gostar um pouco mais de artes, justamente por causa do já citado Sesper e o RevolBack..

    até iria pra Sc, o clima tá bem convidativo..até que fim, frio no inverno..

    away

    • legal, MV, RevolBack é o Edu, do Questions, né?
      E Sesper, pra quem não sabe se é que alguém ainda não sabe, é o Farofa, do Garage Fuzz!
      😉

      noooossa, MV, verdade, o clima em Brusque deve tá beeeem convidativo! brrrrrrrrrr!
      🙂

  3. Bom mesmo. Maluco manda bem nas suas diferentes artes. Talvez tenha gostado mais da banda do que das próprias colagens.
    Mas me identifiquei mesmo por ele ter citado a Tiazinha, saudosíssimamente lembrada aqui há poucos dias atrás.

  4. Não manjo de arte( a unica arte quye faço é na minha franja), curti, achei legal, mas geralmente não entendo patavinas do que a arte quer dizer, mas mesmo assim acho legal.
    Um lance de colagem que achei legal é a que ilustra o encarte do Replicantes 2010, dem uma olhada nele e me digam se aquilo é legal ou se eu ando fumando muito crack.

    PS.:as melhores entrevistas só aqui no chiveta.

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