melodias lusitanas

Formado em 2003, através da internet o Fitacola “saiu” de Coimbra para grudar suas melodias nos ouvidos do mundo todo.

Sem dúvida são uma boa surpresa vinda de Portugal e fazem um punk rock melódico, alternando peso e harmonia pop, extremamente contagiante. Falo isso por experiência própria, já que faz semanas que minha cabeça ecoa o refrão de Cai Neve em NY!

Depois do EP Rebobina e Pensa (2006) e do CD Mundo Ideal (2008), e de tocar ao lado de Strike Anywhere, Less Than Jake, A Wilhelm Scream e Strung Out, eles acabam de disponibilizar para streaming ou download gratuito o EP Outros Dias. Nele estão seis faixas — sendo a já citada cover de José Cid com participação de Calú (da lendária Xutos e Pontapés) e a que deu nome ao disco com participação do nosso camarada Badaui, do CPM 22.

Além de ter gostado muito do material do Fitacola e ter ficado com suas canções na cabeça, acredito que mais gente por aqui vai gostar do som deles. Sendo assim fiz uma entrevista com Xico (bateria) e Pinho (baixo), onde pudemos saber um pouco da história do grupo. Espero que mais brasileiros saboreiem essas belas melodias lusitanas!

Entrevista: Xico e Pinho (Fitacola)
por Ricardo Tibiu
fotos: MySpace

Antes de mais nada, gostaria de saber como anda o cenário independente em Portugal?
Existem muitas bandas fora do mainstream em Portugal assim como existe também muita força de vontade, da parte dessas mesmas bandas, de quererem dar “o salto”. O problema são os lugares para tocar. Temos as cidades maiores, como Lisboa e Porto, que têm espaços com boas condições, mas inacessíveis à maior parte das bandas que ainda não deram “o salto”! E temos os bares menores onde na maior parte das vezes as condições não são as melhores. Então, fica criada uma barreira que por vezes torna-se difícil de “saltar”. É preciso um pouco de sorte e muita persistência.

Quais as principais diferenças ou transformações no cenário independente que vocês sentiram nesses sete anos de banda?
Temos sentido que ultimamente têm aparecido muitas bandas novas — como sempre apareceram — mas agora nascem com um nível de maturidade mais elevado. Sente-se também que há uma comunidade musical maior em Portugal. Há muitos elementos de muitas bandas que estão começando a fazer seus próprios projetos ou a criarem projetos paralelos com outros artistas, fazendo assim a arte crescer em Portugal.

Como vocês definem a música do Fitacola?
É uma pergunta difícil de responder pois é algo criado por todos nós, cada um dá a sua parte. Assim sendo, o conjunto é uma mistura de definições… a definição musical de cada um. Mas posso tentar! (risos). Acho que no geral, temos um resultado bastante enérgico imprimido pela velocidade e pelo ritmo da bateria, misturado com uma boa dose de melodia dada pelas guitarras, baixo e pelo registo da voz do Diogo — que está também um pouco mais agressivo que os outros, as guitarras afinadas em Ré e a “raiva” do Diogo transmitem melhor a expressividade e o conteúdo escrito nas letras.

Apesar de vocês cantarem em português, existem diferenças entre o idioma falado aí e aqui no Brasil. Vocês nunca cogitaram cantar em inglês?
A primeira formação que tivemos — ainda não se chamava Fitacola — começou em inglês, mas logo percebemos que não fazia sentido. Todos nós respeitamos o fato de uma banda preferir cantar em inglês, cada um é livre de se exprimir da forma que quiser. O inglês é a língua mais falada no mundo, provavelmente a nossa mensagem chegaria a mais gente, mas nós vemos a música sob outra perspectiva. Qual é a nossa língua? Português. Qual a melhor forma de exteriorizarmos o que nos vai na alma? Em Português. Qual vai ser o resultado mais sentido? Vai ser um resultado em Português. Por outro lado, a nossa música é feita, em primeiro lugar, para o nosso prazer e, consequentemente, quantas mais pessoas sentirem aquilo que estamos a sentir melhor! Música é comunicação, e nada melhor que a nossa própria linguagem para a fazer acontecer.

Acredito que as novelas da Rede Globo devem estar “poluído” o idioma português por aí! (risos).
As novelas da Globo são a nossa escola do Português brasileiro! (risos). Não pensamos que esteja a poluír o idioma falado aqui. Aliás é um bom treino para percebermos melhor as mensagens de bandas como Dead Fish, CPM 22, Charlie Brown Jr., O Rappa, Gabriel O Pensador, e muitos outros artistas brasileiros igualmente excelentes.

Existe uma crise que atinge a indústria fonográfica no mundo todo. É cada vez mais comum as bandas disponibilizarem seus materiais para download gratuito, que até é o caso do Fitacola. Qual vocês acham que seria a solução para a música voltar a ser valorizada?
O progressivo aumento do “file sharing” na internet é o grande responsável por tudo isso. Estamos a viver uma era de muita mudança a nível editorial. As estratégias que, há uns anos atrás, eram usadas pelas editoras, agora deixaram de fazer sentido. A pergunta do momento é “Porquê ir comprar um disco em uma loja se posso tentar encontrá-lo na internet, com a capa e tudo?”. De muito pouco tempo para cá que a música não se sustenta por seus próprios discos. A solução está em virar o jogo em função da realidade, ou seja, adaptar os objetivos das bandas e das gravadoras às diretrizes da realidade que se vive na música dos dias de hoje. É o que estamos tentando fazer. Para quê dificultar o acesso das músicas aos nossos fãs se na prática eles são livres de irem fazer o download? Para quê tentar o nosso sustento a partir da venda de discos se podemos optar por outro tipo de estratégia? As indústrias não vão acabar, vão se readaptar. O aspecto positivo, no meio desta trapalhada toda, é que quando tudo estiver readaptado vamos ver que realmente a mensagem passa mais depressa e chega definitivamente mais longe.

Qual é a expectativa com o lançamento do EP Outros Dias?
A ideia deste EP partiu da Optimus Discos pelo Henrique Amaro. É uma iniciativa onde bandas menos conhecidas como nós, têm oportunidade de mostrar o seu valor com um elavado nível de exposição. Já temos algumas músicas novas tocando em rádios, alguns artigos relativos a este novo trabalho publicados em blogues e revistas. Daí a nossa expectativa ser altamente positiva, sempre com os pés bem assentes na terra, ou nos palcos!

De onde veio a ideia de gravar a canção Cai Neve em NY e o que José Cid representa para Portugal?
Surgiu de uma brincadeira. O Diogo e o Xico tinham gravado no verão anterior uma cover caseira com a música, para um projeto que não chegou a prosseguir. Então em vários ensaios fomos tocando a música como forma de brincadeira e até chegamos a tocar em alguns concertos. No entanto, quando apareceu a oportunidade que nos foi dada pela Optimus Discos decidimos gravar então essa cover. O José Cid é um dos artistas mais importantes portugueses, teve uma grande influência na música portuguesa, e já está por aí desde os anos 70, estando entre os grandes nomes a nível internacional do rock progressivo da época. A oprtunidade surgiu e ele concordou que fosse feita a cover.

Inclusive nessa faixa vocês recebem Kalú, baterista do Xutos e Pontapés. Há umas semanas vi umas fotos de um show deles, era um lugar enorme e havia uma multidão para vê-los. Como foi tê-lo na gravação e qual a influência deles para o Fitacola?
A oportunidade apareceu mais uma vez por causa do Henrique Amaro que achou que seria engraçada a inclusão do Kalú na música. Os Xutos e Pontapés são sem dúvida a maior banda portuguesa, e para nós foi uma honra tê-lo a cantar conosco, só temos a agradecê-lo por isso, porque foi mesmo um daqueles dias em que nem queríamos acreditar no que estava acontecendo. Não podemos dizer que sejam a nossa maior influência, no entanto claro que tiveram a sua parte. Eles são uma banda muito importante para o panorama nacional, tendo aberto muitas portas para todos os músicos de rock. Além disso tal como eles tocamos rock e cantamos em português, por isso sim foram obviamente uma influência.

Por falar nisso, quais são as principais influências de vocês?
As nossas principais influências partem todas da mesma base, o panorama rock, punk e punk rock desde o seu início. Começando nos Ramones, Clash, Dead Kenedys, passando toda a escola de punk rock de Pennywise, NOFX, Millencolin, Lagwagon, blink-182 e MxPx até as bandas de punk rock de hoje em dia, como Rise Against, Dead Fish, Strike Anywhere, A Wilhelm Scream e por aí adiante. Depois cada um tem das suas ramificações mais pesadas — Comeback Kid, Madball — às mais leves — Alkaline Trio, Gaslight Anthem — passando pelas mais divertidas — Less Than Jake, Catch 22 — às mais tristes, como Muse…

Vocês já tocaram ao lado de Strike Anywhere, Less Than Jake, A Wilhelm Scream e Strung Out. Como foi a experiência de dividir o palco com eles?
São experiências muito gratificantes, crescemos ouvindo a música deles, já fomos ver concertos deles e criamos então durante esse tempo todo uma ligação de ídolo-fã. Quando tocarmos com bandas sobre as quais temos este tipo de ligações, certamente ficamos muito felizes e nos dá a sensação de “objetivo atingido”. É mais um degrau que passamos nesta escada sem fim!

Como foi feito o convite para o Badaui, do CPM 22, participar da gravação com vocês e porque o convidaram?
O CPM 22 é uma banda que ouvimos muito. Conhecemos todos seus álbuns e foi mais uma das bandas que participou da nossa juventude. Soubemos que eles vinham tocar aqui e decidimos ir ver o concerto já que estávamos todos perto de Lisboa nas gravações do EP Outros Dias e do nosso próximo album. Perto do dia do concerto alguem teve a ideia de falarmos com ele para uma participação, não tínhamos nada a perder. Foi exatamente o que aconteceu! Entramos em contato e fizemos a proposta ao Badaui e ele ficou muito interessado. No final do show fomos encontrar com eles no backstage e combinamos a ida a estúdio, o que acabou por resultar na música Outros Dias, uma das mais calmas do EP.

Aproveitando, além do CPM 22, que outras bandas brasileiras vocês conhecem ou gostam?
O Brasil tem uma veia artistica excelente! Na música então nem se fala… Há muitos artistas que podia aqui referir desde o hip hop, reggae, ska, rock, hardcore ao punk, mas vou me limitar aqueles que costumam parar no nosso leitor de MP3: Dead Fish, CPM 22, O Rappa, Sepultura, Ratos de Porão, Charlie Brown Jr. e Porcos Cegos!

Pensando rapidamente em bandas portuguesas, além do Xutos, me lembro de X-Acto, Mata-Ratos, Albert Fish, Funny Bunny, Simbiose e Fonzie. Ah sim, e o Roberto Leal que está sempre por aqui! (risos). Quais bandas portuguesas vocês indicariam para os brasileiros conhecerem?
Ora existem muitas bandas com qualidade em Portugal mesmo na cena independente. Umas das principais influências que tivemos quando começamos foram os Tara Perdida. Mas existem muitas bandas boas, como Easyway, Humble, More Than A Thousand, Men Eater, Devil In Me, For The Glory, Linda Martini, os já extintos Vicious 5. É uma questão de se procurar porque há muito boa música a ser feita por estas bandas.

Vocês já fizeram shows fora de Portugal? Existem planos de vocês tocarem no Brasil ou, quem sabe, ter material distribuído?
Não, ainda só conhecemos os palcos Portugueses — continente e ilhas dos Açores. Cada vez mais vai crescendo essa vontade, de tocar fora daqui, de conhecer outro tipo de público. O Brasil é, sem dúvida, uma excelente opção pois falam a nossa língua, talvez um dia consigamos passar o Atlântico e mostrar aos brasileiros do que é feita a nossa música.

Esse ano teremos mais uma Copa do Mundo de futebol, onde já na primeira fase nossos países se enfrentam. Arriscam algum palpite de quem ganhará e, ainda, de quem será campeão?
É para apostar alguma coisa? Se for, prefiro não abrir a boca… se não for, ah então Portugal já é campeão! (risos).

Para finalizar, se quiserem deixar um recado aos brasileiros fiquem à vontade!
Sim, passem no nosso MySpace, onde têm acesso ao download de todas as nossas músicas grátis! Deixem-nos um comentário, passem pelos nossos outros contatos (Facebook, hi5) e conheçam o nosso trabalho! Passem também no site da Optimus Discos onde podem fazer o download e saber mais sobre este novo EP! Obrigado Ricardo por esta entrevista que é mais uma oportunidade!

Links relacionados:
www.myspace.com/fitacola
www.optimusdiscos.com
www.xuxajurassica.com
www.myspace.com/sonsurbanos

14 pensamentos sobre “melodias lusitanas

  1. Foda o som deles, de portugal só conhecia o x-acto..por causa dum split junto com o ignite..e o mata ratos

    agora citar charli bral como influência.. isso é pra esmagar os bagos mesmo..hehehe

    tem novela da grobo até no chipre..kkkk
    eles querem dominar a porra do mundo.

    • muito bom o som deles, né MV? fiquei com as músicas na cabeça por um bom tempo!
      🙂

      X-Acto e Mata-Ratos são muito bons também!

      é, o problema é que a gente aqui no Brasil tem uma visão do Charlie Brown Jr., e eles lá têm outra, né?!

  2. charle bral e chato aqui, na China,no E.U.A e até em portugal tbm..kkk

    mas não consigo mesmo parar de ouvir fitacola…viciei..kk

    abrá

    • gruda na cabeça, né MV? putz, Cai Neve em NY é uma que não paro de cantarolar!

      do CBJr., é verdade, MV, mas o som deles nem é tão ruim, até porque tem coisas influenciadas até demais por outras bandas, mas as letras é que são terríveis!
      🙂

  3. Legal o som hein, vou sacar essas indicaçoes de la tbem!

    Agora fala para os caras largarem as novelas e procurarem por filmes brazucas. É muito mais a cara do Brasil e não aquele mundinho escroto da Globo.

  4. Era mas é muito fixe se viessem a Alpiarça (:
    As musicas de Fitacola são super fixes não há nada melhor mesmo.

    FITACOLA SEMPRE NOS CORAÇÕES DOS PT !

    FORÇA!! 😀

  5. Aí galera,

    era só pra deixar a informação … tá aí o albúm novo de Albert Fish!! Passem no nosso myspace e peguem o línk e disfrutem … News from the front!!

    Já tem mais no forno para saír!!!

    Abraço de Portugal,

    Gustavo (Albert Fish)

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