celebrando o skate-punk!

Formado no início dos anos 90, o No Fun At All se sobressaiu em meio a tantos outros grupos de hardcore melódico tão em voga naquela década e se tornou o maior expoente sueco do estilo.

Após mais de oito anos desde sua última visita, a banda retorna ao Brasil no final de janeiro para uma série de shows. A Low Rider Tour começa em Porto Alegre (Teatro do Bourbon Country) no dia 27 de janeiro, seguindo para Curitiba (Master Hall, dia 28), Santos (Fênix, dia 29, com Riverside Hospital e Vatos), São Paulo (Hangar 110, dia 30, com Take Off The Halter) e Fortaleza (Hey Ho!, dia 31, com Switch Stance).

Antes disso, conversamos com o guitarrista Mikael Danielsson, um dos membros fundadores do NFAA, que falou sobre futebol, música sueca e suas expectativas para o giro por aqui – segundo ele será uma celebração ao skate-punk!

Entrevista: Mikael Danielsson (No Fun At All)
Por Ricardo Tibiu
Tradução: Marina Melchers

O quê vocês esperam da turnê no Brasil e o quê os fãs podem esperar?
Com sorte será tão bom quanto as outras duas turnês que fizemos no Brasil. Os fãs podem esperar um set com nosso “best of”, músicas indo do Vision (1993) até o Low Rider (2008). Pessoalmente eu acho que soamos mais afiados e melhor que nunca, e eu me sinto bem estando de volta à guitarra. Será skate-punk a toda velocidade do início ao fim!

O No Fun At All tocou no Brasil em 2000, além do calor infernal e das cervejas de qualidade duvidosa porém geladas, o quê vocês se lembram da turnê?
Caramba, faz quase 10 anos desde a última tour, o tempo passa rápido, posso te dizer isso. O que eu mais me lembro são alguns shows fantásticos em um calor fantástico.

O quê vocês sentem quando nem bem subiram ao palco e já tem alguém pedindo para vocês tocarem “Master Celebrator”?
(Risos) Isso acontece de tempos em tempos. Talvez devêssemos fazer como o Ozzy fez em um show que eu vi há muito tempo, onde ele começou o set com “Paranoid”. Mas é um tanto engraçado que as pessoas repitam o pedido durante o show inteiro, mesmo se você diz para elas que a canção será tocada mais tarde.

O NFAA ficou oito anos sem lançar um disco – claro, vocês fizeram uma pausa – e no ano passado saiu “Low Rider” com a mesma linha dos outros discos. Queria saber se vocês, o AC/DC e o Mötorhead têm uma espécie de pacto onde não se pode mudar a fórmula! (risos)
Eu adoraria ter um pacto com Lemmy e Angus, isso seria ótimo! Na verdade mudamos um pouco a fórmula no State of Flow (2000) e não deu muito certo, eu acho. Fomos em uma direção um pouco emo. Basicamente, a ideia de seguir um estilo um pouco mais voltado ao emo foi um erro, mas na época eu estava simplesmente de saco cheio de ficar martelando power chords. Mas acho que precisávamos fazer aquele disco e dar um tempo para que conseguíssemos fazer esse álbum. Então no caso desse disco, eu acho que tivemos o NFAA como a maior influência, como uma mistura dos três primeiros discos. É assim que os fãs querem que a gente soe e é assim que queremos soar. Eu vinha escrevendo canções há muito tempo, sempre sendo muito meticuloso, querendo que elas ficassem do meu jeito. Eu não escrevo 40 canções e escolho as melhores 14 dessas, eu escrevo 14 canções que eu quero que entrem no disco. Então foram feitos diversos arranjos diferentes para cada canção em meu apartamento antes que elas ficassem do jeito que eu queria. Algumas das músicas foram tocadas por uma outra banda chamada Pick Your Poison, que eu tinha com Nikola Sarcević (Millencolin), Magnus Larnhed (59 Times the Pain) e Chris Dangerous (The Hives). A banda existiu durante cerca de meio ano ou algo assim, mas era meio difícil conciliá-la com nossas outras obrigações. Depois que nos separamos em 2001, eu tenho ouvido muita música feita entre 67 e 72. Folk music, rock psicodélico, hard rock, garage rock e coisas desse tipo foram uma grande influência nas melodias.

“Episode 666” é de deixar o Iron Maiden com inveja. Enfim, vocês acompanham esses seriados “sobrenaturais” que têm feito sucesso no mundo todo?
O In Flames fez uma versão da nossa música “Strong & Smart” na versão japonesa de “Clayman” – que, na minha opinião, é muito boa. Então, no início, nossa versão de “Episode 666” era para ser uma faixa bônus na versão japonesa do nosso disco, mas ficou tão boa que decidimos incluí-la no CD original. Aí achamos que seria uma ideia divertida devolver o favor por eles terem gravado uma de nossas canções. Eu era um verdadeiro metaleiro no fim dos anos 80 e início dos 90, ouvindo muito bandas como Morbid Angel, Bolt Thrower, Deicide, Sepultura, Kreator e também Entombed. Eu gostei muito do disco Left Hand Path (1990) quando ele saiu, mas o seguinte, Clandestine (1991), me desapontou um pouco. Quando Wolverine Blues (1993) saiu eu estava mais interessado em punk rock e coisas do tipo. Quando o In Flames lançou Whoracle (1997), para mim foi uma espécie de “revival”, e comecei a ouvir bandas como At The Gates e Dark Tranquillity, e “Episode 666” ficou na minha cabeça. Foi um desafio fazer o arranjo dos vocais em um estilo mais melódico, mas acho que ficou do jeito que eu queria. Nós adicionamos a introdução com as guitarras para dar um toque mais Iron Maiden. Também cogitamos fazer uma versão acústica dessa música no começo, mas a ideia foi abandonada. Quanto às séries de TV com temas sobrenaturais, só posso te dizer que estou completamente perdido. Eu gosto de “The Wire”, esse é mais o meu estilo.

Low rider, junto ou separado, pode ser: a) o carro predileto de 11 em cada 10 chicanos, b) aquela bela e contagiante canção do War, e ainda c) uma banda sueca de stoner rock. Afinal, qual o motivo do nome do disco de vocês?
Eu acho que a expressão nos define muito bem como pessoas.

Quando se fala na crise da indústria fonográfica, logo as pessoas lembram de downloads gratuitos e tal… Vi que nos shows haverá merchandise oficial do NFAA, o quê vocês acham da pirataria — diga-se, forte aqui no Brasil! — deste tipo de produto que as bandas têm até como uma forma de ganhar um trocado já que os CDs vendem bem pouco hoje em dia?
É claro que isso não é um grande problema para nós porque não fazemos turnês no Brasil e América do Sul com frequência – o que é uma pena! – e eu não acho que seja um grande problema na Europa. E não dependemos disso porque temos empregos formais, apenas fazemos isso quando estamos de férias. Se o Kiss vende 4 mil camisetas a um preço abusivo ao invés de 12 mil em um show por causa da pirataria, eu não quero nem saber. Mas se são bandas pequenas dependendo disso e cobrando valores justos, com sorte os fãs terão o bom senso e bom gosto de comprar a original. Na maioria dos casos ela será 10 vezes melhor também. No meu caso, eu jamais compraria material pirateado porque quero os originais. E sim, eu ainda compro discos.

Independente do gênero, a música sueca conseguiu destaque no mundo todo com o ABBA e, posteriormente, com seu público específico, com Bathory, Anti Cimex, Hives, Entombed, Cardigans, Hellacopters, Europe, In Flames, Satanic Surfers, Ace Of Base, Clawfinger, The [International] Noise Conspiracy e vocês. Falei tudo isso pra perguntar: vocês acham que o local de origem de uma banda influencia ou é determinante no rumo que ela vai tomar?
Muito se fala sobre o “som sueco”, geralmente falando de metal brutal. Primeiro foi com o som do Entombed e do Soundlight e com a cena de death metal melódico de Gotemburgo – bandas como In Flames, Dark Tranquillity… Eu acho que o punk crust sueco também tem certa sonoridade particular. Mas muito do som também bebe da fonte americana e britânica. Talvez os malditos invernos intermináveis determinem o rumo.

Já que citei tanta gente, não custa perguntar, qual delas é a predileta de vocês e qual vocês nem lembravam mais que existia?
The Hives é o número 1 e o Europe estava em uma terra há tempos esquecida por Deus.

Você acompanha o hardcore atual? Alguma banda chamou sua atenção ultimamente?
Acho que estou um pouco perdido na cena hardcore atual. Eu comprei o disco novo do Propagandhi e achei muito bom. Quando escuto punk rock, geralmente são coisas do início dos anos 80, como Poison Idea, Circle Jerks, Angry Samoans, Black Flag, Jerry’s Kids, Bad Religion do começo e Dead Kennedys. Acho que Dead Kennedys é minha banda punk favorita. Uns amigos meus têm uma banda punk chamada Kvoteringen que é muito boa. São influenciados por bandas como GBH etc.

Não sei se vocês gostam de futebol, enfim… Apesar do talento de Ibrahimovic, a Suécia não se classificou para a Copa do Mundo de 2010. Vocês arriscam um palpite de quem será campeão?
Acho que deve ser um dos sete países de sempre — menos o Uruguai — que vencerá a Copa. Eu vi Brasil e Itália na Copa das Confederações no ano passado e achei que os garotos do Dunga pareciam bem fortes. Acho que a Espanha é uma forte candidata também. Mas acho que vai dar Inglaterra 2 x 1 Brasil. Vou ficar no Rio durante uma semana após a turnê, espero que consiga ver alguns jogos no Maracanã.

Obrigado pela entrevista, sinta-se à vontade pra deixar um recado aos brasileiros!
Isso é fantástico, estou super empolgado! See ya in the pit!

Links relacionados:
www.myspace.com/nofunatall
www.nofunatall.com
www.myspace.com/highlightsounds
www.ticketbrasil.com.br/NFAAHangar (venda online de ingressos para o show de São Paulo)
www.ticketbrasil.com.br/NFAAFenix (venda online de ingressos para o show de Santos)
www.ticketbrasil.com.br/NFAAHeyHo (venda online de ingressos para o show de Fortaleza)
www.myspace.com/takeoffthehalter
www.tramavirtual.com.br/switchstance
www.myspace.com/riversidehospital
www.myspace.com/vatosrock

32 pensamentos sobre “celebrando o skate-punk!

  1. Ainda não ouvi o som dessa banda(*vergonha*) mas fiquei muito curioso após saber dessa versão de “Episode 666” que na minha opinião é uma das melhores músicas do InFlames.
    Até pensava em ir pra Fortaleza mas acho que vou guardar grana pro NOFX!!!
    😀

  2. A respeito do maravilhoso Nasum, saiu no ano passado um tributo a banda com a participação do Horrificia(RJ) e do Expose Your Hate(RN). Baixem o mp3 que só dá cancer se for de ouvido!!!
    rs

  3. 1 & 2. legal que fizeram um tributo ao Nasum e, ainda, que tenha duas bandas brasileiras!

    Dead Nomads tá em atividade ainda, Marinho? uau!
    tenho duas demos deles em K7 e um CD!
    🙂

    3. acho que nunca ouvi o Horrificia!
    MySpace?
    🙂

  4. a matério é sobre o NFAA, mas lendo aqui os comentários não posso deixar de dizer que os paraibanos do dead nomads são uma lenda! as duas demos dos caras são cláááássicas demais. uma delas se chamava “desolation” se não estiver enganado… pena que a banda não esteja mais no pique de antes. os shows eram fudidos!

    abrçs!

  5. Pô o tributo ao Nasum é foda!!! Em que banda tu toca Beto?
    Eu nunca ouvi essas demos do DN só conheci a partir do trincando os ossos. Bons tempos!
    Velho, em que disco do NFAA tem essa versão do InFlames?

  6. Putzz…master celebrator é um tipo de hit radiofônico mesmo..hehehe…mas quando eles tocarem essa, vou enlouquecer..hehehehe

    estrevista de qualidade…

  7. Em primeiro lugar gostaria de parabenizar o Sr. chiveta pelas otimas entrevistas que tem sido postadas neste espaço, essa não poderia ser diferente. Dia 30/01 se deus quiser vou estar ae em sampa, é só colocar comigo que eu pago uma cerveja e avisa aos caras do NFAA pra colar comigo aqui no Rio Para um rolé no Maraca e no engenhão para ver o Jogo do glorioso(heheehehehehehe).

    ………Porr*** Ace of Base, desenterrou hein!!!

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