O niteroiense De Leve sempre surpreende, desde Introduzindo De Leve (2001), um CD-demo (ou EP?) recheado de clássicos (como “Largado”, “Vai Vendo”, “Tio De Leve” e “Eu Rimo Na Direita”). Depois o cara inventou – e propagou – O Estilo Foda-se (2003), que continuava indo contra os chavões do rap, inclusive dando boas alfinetadas nas repetições do estilo. Geralmente as pessoas (hmmm na verdade, verdade mesmo, a mídia; que até torce pra isso) acham que as novidades (principalmente as que os ditos formadores de opinião não podem se dar o luxo de se proclamarem descobridores) não vão vingar. Ou, pior, que vão decair o nível. E não é que o ex-Quinto Andar e atual Leme fez o contrário e em 2006 soltou o maravilhoso Manifesto ¹/² 171 (engole essa D2!), onde a sonoridade vai do funk ao dub com louvor. Deste álbum (que está disponível para download gratuito na TramaVirtual) acaba de sair um clipe que resume bem o som e atitude do bróder. Clique abaixo e veja “Feipa” – produzido pela Zerovinteum e Seismão – e pire na batida oldschool (e visual do figura), nas rimas rápidas e irônicas, break, boom box, skate e muita gente feipa bonita. Enquanto uns ainda acham que rap é fazer cara de malvado, ostentar carro, popozuda, blings e roupas de grife, e fazem um som que vale metade de R$ 1 (hein, hein), De Leve vai na raiz da parada e busca referências de lendas como Grandmaster Flash (tendeu a mensagem?).
ah, e o bigodinho cafajeste já era o prenúncio de um novo projeto: De Love…

8 respostas Até agora ↓
Renato // Abril 11, 2008 às 11:29 pm |
briiiiiiiiilha!
esse tal de igor brilha é foda
okuluz // Abril 12, 2008 às 12:18 am |
hahahahahaha
mtoo fudido esse clipe anão q parece o do Jackass e o estilinho Beastie Boys mto rox =))
Renato // Abril 12, 2008 às 11:37 pm |
esse anão é um skatista pakitão ai mano
o nome dele é igor brilha
chiveta // Abril 12, 2008 às 11:51 pm |
Igor Brilha, ele mês!
japa // Abril 14, 2008 às 9:35 am |
não vou pq agora tô sabendo que tem anões.
jejejejejjje
abrá
japa // Abril 14, 2008 às 9:35 am |
não vou ver pq agora tô sabendo que tem anões.
jejejejejjje
abrá
de leve // Abril 15, 2008 às 12:56 pm |
Brilha é rei.
Eu fui na missão de mostrar os talentos niteroienses e de coloca-los na roda, ou mlehor na tela.
Nem sei se precisava sendo ele conhecido e tendo participado do filme do chorão, o Magnata, mas o PERIKITO SEM ASA acho que poucos conheciam.
Se Brilha é rei, PERIKITO é…
bobo da corte?
de leve // Abril 15, 2008 às 12:59 pm |
UTH DE AQUINO
é redatora-chefe de ÉPOCA
raquino@edglobo.com.br
O sorriso de Isabella, os olhos castanhos de Isabella, as fotos no Orkut de Isabella abraçada à mãe e no colo do pai, o corpo de Isabella com marcas de asfixia, as cartas de despedida a Isabella escritas pelo pai e pela madrasta em papel com coraçãozinho. Só mesmo um crime pavoroso de classe média para derrubar das manchetes Lula e os fantasmas que rondam o país: o terceiro mandato, a farra dos sindicatos entregues a Deus e a ministra que sonhava ser dama de ferro, mas derrete no primeiro escândalo chinfrim. Dilma quem?
A morte covarde da menina de 5 anos, arremessada como um traste inútil pelo buraco tosco recortado na tela, hipnotizou o Brasil. Depois de assistir, na televisão, a mais detalhes sobre o crime, Brasília fica parecendo cenário de Casseta & Planeta, uma capital desconectada da realidade. Manchas de sangue, ameaças antigas do pai da menina, isso é concreto. No segundo bloco, entra a ficção: petistas acusam o senador tucano Álvaro Dias pelo vazamento dos gastos sigilosos de Fernando Henrique Cardoso. A oposição convoca Dilma para falar no Senado sobre o filho, o PAC. E Eremilda, aliás, Erenice, o braço direito da ministra, acusada de elaborar o dossiê, é poupada pela defesa feroz da ex-futura candidata de Lula à sucessão. Para o presidente, Dilma é vítima de chantagem política, e o tal dossiê não passa de “osso de galinha”. Que saia justa, ministra. Botam a senhora no palanque, afagada por todos. Depois tiram a senhora do palanque porque falta o bambolê que o ministro José Múcio lhe deu de presente.
Quem, diante da investigação sobre quem matou Isabella, quer saber da mãe do PAC? A mãe do momento é uma morena bonita, Ana Carolina, que pedia ao ex-marido aumento de pensão e perdeu a filha no fim de semana da guarda compartilhada. Mesmo sem confissão e provas, a turba culpa o pai e a madrasta, presos e algemados na quinta-feira. Havia medo de linchamento nos olhos dele e uma resignação dopada nos olhos dela.
O crime parece ser de fácil elucidação, com mais pistas que os roteiros engenhosos do mestre Hitchcock. Nos suspenses do inglês, há sempre uma janela indiscreta, uma vertigem, um corpo que cai. No enredo trágico de Isabella, há uma madrasta. Mãe e madrasta têm o mesmo nome, Ana Carolina. E são muito jovens. A diferença é que a segunda mulher de Alexandre Nardoni é Anna, com dois “n”.
Na versão do pai de Isabella, um desafeto misterioso teria se infiltrado no apartamento sem arrombar e sem roubar e teria jogado Isabella pela janela. Na versão do governo Lula, um tucano misterioso teria se infiltrado no banco de dados do Planalto para pinçar o dossiê que não incrimina ninguém, só faz espuma. As duas versões parecem fantasiosas e inverossímeis. Mas só um dos casos tem real importância, e uma vítima de verdade. Uma menina inocente perdeu a vida, os sonhos, o futuro. O outro caso enriquece o folclore dos pouco inocentes e bobos da corte.
Lula aproveita a popularidade messiânica para liberar a gastança dos sindicatos. Com o veto à fiscalização, nenhum sindicato, ético ou podre, precisará prestar contas ao Tribunal de Contas da União. Vamos contribuir obrigatoriamente com R$ 1,2 bilhão por ano para que o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, continue rindo à toa da nossa cara.
Dilma, a ex-guerrilheira, não tem estômago para o vale-tudo político. Ela se indigna. Bem diferente da mãe de Isabella, que espanta pela serenidade: “Que a justiça seja feita”. Na quinta-feira, telefonei para Ana Carolina. E ela própria atendeu. Ana Carolina tem só 23 anos. Foi mãe aos 18. Falou que as fotos e mensagens que tinha postado no Orkut mostram “como a vida com Isabella era maravilhosa”. Receava comentar qualquer coisa que pudesse ser usada contra ela. “Você viu o Alexandre e a mulher algemados? Eu estou acompanhando tudo pela TV.”
Fiquei pasma. No lugar dela, eu nem estaria atendendo o telefone.